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Qual a importância dos cemitérios indígenas?

Imagem - Qual a importância dos cemitérios indígenas?

Existem momentos que todos vivemos: o nascimento, o envelhecimento e a morte. No entanto, cada cultura possui formas específicas de ritualizar esses acontecimentos. Brasileiros não-indígenas costumam velar, enterrar, comunhar uma despedida, cremar e memorar seus mortos. Construímos cemitérios, túmulos e procedimentos dedicados a isso. 

Os povos indígenas também possuem suas próprias formas de encarar, proceder e sacralizar a morte. 

  Dentro de cada etnia indígena, existe um universo específico de significados, ritos, regimes de conhecimento e crenças. No Brasil, muitas delas mantêm uma forte associação de seu território com a presença de cemitérios ancestrais. Essa pode ser desde uma forma de se manterem próximos a sua história e pessoas importantes que se foram, até como índices de organização hierárquica para a construção de ocas e casas de reza para sua comunidade. 

  Existem pontos importantes dentro da cultura indígena para enterrar seus mortos, que podem ser desde deixar os pés dos mortos apontados em direção à uma cachoeira ou mar, ornamentá-los com cores e tinturas específicas ou deixá-los entre árvores que sigam os totens celebrados em seus grupos. Tudo isso estará relacionado a cada etnia de forma específica, de acordo com sua própria cultura. Para muitos povos, o cemitério é o lugar mais importante e sagrado de sua aldeia e é defendido como parte fundamental de sua existência. 

  Um dos mais conhecidos rituais mortuários celebrado entre os povos indígenas do Brasil é o Kuarup, praticado na região do Xingu e é centrado na figura de Mawutzinin, o demiuro e primeiro homem do mundo da sua mitologia. Em sua origem, o Kuarup teria sido um rito que objetivava trazer os mortos de novo à vida. Ele ocorre um ano após o falecimento de uma entidade importante na comunidade e mobiliza a vinda de comunidades amigas para a celebração. 

  Após a última despedida ao falecido, há celebrações sobre a vida daquele que se foi. Todos utilizam suas melhores vestimentas e adornos, preparam alimentos, guloseimas, cocares, plumagens e braceletes. Dançam, cantam, tocam marácas e oferecem toda sua gratidão àqueles que se foram. Os troncos feitos da madeira “kuarup” são a representação concreta do espírito dos mortos e são dispostos durante o ritual. Na cosmologia indígena, os mortos querem ver os vivos felizes e mantendo suas tradições. 

Existem muitas celebrações e significados diante dos rituais mortuários indígenas. Entender como outras culturas organizam suas vidas e partidas pode ser uma tarefa enriquecedora e importante para todos nós. Afinal, cada cultura tem o seu próprio universo e a forma de significá-lo. Que todas possam existir em respeito e igualdade! 

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